Do cuidado ao impacto ambiental: o setor funerário na lógica da economia circular

Ana Santiago
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De acordo com Tiago Oliva Schietti, a economia circular vem ganhando espaço como alternativa a modelos tradicionais de produção e consumo baseados no desperdício. Nesse contexto, setores historicamente pouco associados à sustentabilidade começam a repensar seus processos e impactos ambientais. O setor funerário é um deles. Embora envolva práticas sensíveis e culturalmente enraizadas, ele possui grande potencial para adotar soluções mais sustentáveis e alinhadas à lógica da economia circular. Ao lidar com recursos materiais, energia, logística e serviços, o setor funerário pode desempenhar um papel relevante na redução de impactos ambientais. A incorporação de práticas circulares permite não apenas minimizar resíduos, mas também gerar valor econômico, social e ambiental. Dessa forma, sustentabilidade e respeito aos rituais de despedida podem caminhar juntos.

Entendendo a economia circular no contexto funerário

A economia circular propõe a redução do desperdício por meio do reaproveitamento, da reciclagem e do uso consciente de recursos. Diferente do modelo linear, baseado em extrair, usar e descartar, a lógica circular busca manter materiais em uso pelo maior tempo possível. Para Tiago Oliva Schietti, no setor funerário, essa abordagem pode ser aplicada de forma cuidadosa e ética, respeitando valores culturais e emocionais. Caixões, urnas, tecidos, estruturas de velórios e processos de cremação ou sepultamento envolvem materiais que podem ser repensados. A escolha por insumos biodegradáveis, recicláveis ou reutilizáveis contribui para a diminuição do impacto ambiental e abre espaço para inovações alinhadas à sustentabilidade.

Materiais sustentáveis e novos modelos de produtos

Uma das principais contribuições do setor funerário para a economia circular está na adoção de materiais sustentáveis, como observa Tiago Oliva Schietti. Caixões produzidos com madeira de reflorestamento, papelão reforçado ou materiais biodegradáveis reduzem a pressão sobre os recursos naturais. Urnas ecológicas e tecidos naturais também fazem parte desse movimento. Além disso, surgem novos modelos de produtos funerários pensados desde a origem para causar menor impacto ambiental. A inovação nesse campo estimula fornecedores, gera novos mercados e fortalece cadeias produtivas sustentáveis. Assim, o setor funerário passa a integrar ativamente a economia circular por meio do design consciente e da escolha responsável de materiais.
Economia circular e impacto ambiental no setor funerário com Tiago Oliva Schietti.
Economia circular e impacto ambiental no setor funerário com Tiago Oliva Schietti.

O setor funerário pode ser sustentável sem perder o caráter simbólico?

Segundo Tiago Oliva Schietti, uma das principais dúvidas em torno da sustentabilidade no setor funerário é se práticas circulares comprometem o simbolismo e o respeito aos rituais de despedida. A resposta está no equilíbrio entre tradição e inovação. A adoção de soluções sustentáveis não elimina o valor emocional dos rituais, mas pode ressignificá-los. Velórios mais simples, uso consciente de recursos e alternativas ecológicas podem reforçar valores como respeito à vida e à natureza. Quando bem comunicadas, essas práticas são compreendidas pelas famílias como escolhas responsáveis e alinhadas a princípios éticos e ambientais, sem perder o caráter humano e simbólico do momento.

Práticas circulares aplicáveis ao setor funerário

A implementação da economia circular no setor funerário envolve mudanças em diferentes etapas do serviço. Essas práticas podem ser adaptadas à realidade de cada empresa e à legislação local, respeitando normas sanitárias e culturais. Entre as principais práticas circulares no setor funerário, destacam-se:
  • Uso de materiais biodegradáveis e recicláveis em caixões e urnas
  • Redução de desperdício em flores, tecidos e adornos
  • Reaproveitamento responsável de estruturas e equipamentos
  • Eficiência energética em crematórios e instalações
  • Gestão adequada de resíduos e parcerias com recicladores
Essas ações contribuem para a redução do impacto ambiental e fortalecem a imagem do setor como socialmente responsável e alinhado às demandas contemporâneas.

Impactos econômicos da sustentabilidade no setor funerário

A adoção de práticas sustentáveis também gera impactos econômicos positivos, conforme explica Tiago Oliva Schietti. A economia circular pode reduzir custos operacionais, otimizar o uso de recursos e criar novas oportunidades de negócio. Produtos ecológicos, serviços diferenciados e soluções inovadoras atendem a um público cada vez mais consciente e exigente. Além disso, o setor funerário sustentável pode estimular a economia local por meio de parcerias com fornecedores regionais e empresas especializadas em soluções verdes. Esse movimento fortalece cadeias produtivas, gera empregos e contribui para um desenvolvimento econômico mais equilibrado.

Responsabilidade ambiental e papel social do setor funerário

Na visão de Tiago Oliva Schietti, ao adotar a economia circular, o setor funerário amplia seu papel social. Além de oferecer suporte em momentos de luto, passa a contribuir ativamente para a preservação ambiental e para a conscientização da sociedade. Essa postura reforça valores de responsabilidade, ética e cuidado coletivo. A sustentabilidade no setor funerário também promove o diálogo sobre temas muitas vezes evitados, como o impacto ambiental da morte e dos rituais associados. Ao trazer essas questões de forma sensível e informativa, o setor contribui para uma sociedade mais consciente e preparada para escolhas responsáveis.

Caminhos para um futuro mais sustentável

Em conclusão, o futuro do setor funerário passa pela inovação e pela adaptação às demandas ambientais e sociais. Investir em pesquisa, capacitação profissional e comunicação transparente é fundamental para ampliar a adoção da economia circular. Pequenas mudanças, quando aplicadas de forma consistente, podem gerar impactos significativos. Ao integrar sustentabilidade, respeito e eficiência, o setor funerário pode se tornar um exemplo de como atividades tradicionais também podem evoluir. A economia circular, nesse contexto, não representa uma ruptura, mas uma oportunidade de transformar o cuidado com o fim da vida em um compromisso com o futuro do planeta. Autor: Ana Santiago
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