Paulo Roberto Gomes Fernandes acompanhou, em meados de 2014, mais um avanço internacional da Liderroll com o reconhecimento, por China e México, da patente do Sistema de Roletes Motrizes desenvolvido pela empresa. À época, a concessão reforçou a consolidação da tecnologia criada no Brasil e ampliou de forma significativa o seu potencial de aplicação em mercados com grandes demandas por obras em ambientes confinados, especialmente em projetos de infraestrutura de grande escala.
Reconhecimento internacional de uma solução inédita
O reconhecimento concedido por China e México somou-se a registros já obtidos anteriormente em países como Brasil, Estados Unidos, Canadá e Rússia. O sistema patenteado havia sido criado em 2011 e, naquele período, passou a ser visto como uma alternativa técnica consistente para o lançamento de dutos em túneis longos, com elevado grau de complexidade operacional e restrições severas de espaço.
Paulo Roberto Gomes Fernandes expõe que a tecnologia dos roletes motrizes permitia o deslocamento contínuo e controlado de tubulações de grande diâmetro, reduzindo riscos operacionais, minimizando esforços mecânicos concentrados e eliminando limitações comuns aos métodos tradicionais utilizados até então em obras desse porte.
Aplicações pioneiras no Brasil
Antes do reconhecimento internacional, a solução já havia sido aplicada em projetos relevantes no Brasil. Em 2010, o sistema foi utilizado no lançamento de uma linha de 38 polegadas em um trecho único de 3,8 quilômetros no túnel do Gasduc, sob a Serra dos Gaviões, no estado do Rio de Janeiro. No ano seguinte, a tecnologia foi aperfeiçoada e empregada no Gasoduto Gastau, em São Paulo, em um túnel de 5,1 quilômetros sob a Serra do Mar.

Essas aplicações iniciais, realizadas há mais de uma década, foram determinantes para validar o desempenho da tecnologia em condições extremas, tanto do ponto de vista geométrico quanto operacional. Paulo Roberto Gomes Fernandes frisa que a experiência acumulada nesses projetos abriu espaço para novas contratações e para a ampliação do escopo de uso do sistema em outros contextos de engenharia.
Prospecção internacional e novos mercados
Naquele contexto, a Liderroll também mantinha negociações para avaliar o uso da tecnologia em regiões com condições climáticas severas, como áreas desérticas do Oriente Médio, onde a variação térmica impõe desafios adicionais à integridade dos dutos. Além disso, Paulo Roberto Gomes Fernandes destaca que havia interesse em projetos de grande escala na América do Norte, incluindo gasodutos planejados para cruzar extensas áreas do Canadá, voltados ao escoamento de petróleo oriundo de areias betuminosas.
Durante eventos internacionais realizados em 2014, foram iniciados diálogos técnicos com grandes grupos do setor energético, envolvendo a possível aplicação da tecnologia brasileira em corredores estratégicos de transporte de gás e óleo, inclusive em projetos de caráter transnacional.
Estratégia e visão naquele período
À época, a avaliação era de que o Brasil precisaria planejar com mais antecedência a expansão de sua malha dutoviária, evitando soluções emergenciais no médio prazo. A discussão sobre estruturas aparentes, em complemento aos dutos enterrados, surgia como uma alternativa técnica capaz de reduzir custos, facilitar inspeções, simplificar a manutenção e ampliar a vida útil das instalações.
Paulo Roberto Gomes Fernandes nota que a presença da Liderroll em mercados como a Europa, com representação na Holanda, e a participação contínua em feiras internacionais reforçavam, naquele momento, a estratégia de posicionar a engenharia brasileira como referência em soluções inovadoras para o setor de dutos em ambientes confinados, com foco em segurança, eficiência operacional e longevidade dos ativos.
Assim, o reconhecimento simultâneo por países com realidades técnicas e regulatórias distintas demonstrava que a tecnologia desenvolvida no Brasil era adaptável a diferentes cenários construtivos. Esse fator foi decisivo para ampliar o interesse de operadores e construtoras internacionais, que passaram a enxergar a solução como uma alternativa madura e aplicável a projetos futuros, mesmo diante de desafios geológicos, climáticos ou logísticos complexos.
Autor: Ana Santiago
