Taiza Tosatt Eleoterio comenta sobre o abuso que não deixa marcas visíveis: controle, isolamento e chantagem afetiva

Diego Velázquez
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Taiza Tosatt Eleoterio, profissional com atuação em apoio a mulheres e famílias em situação de vulnerabilidade, chama atenção para uma forma de abuso que costuma passar despercebida justamente por não deixar marcas no corpo. O controle, o isolamento e a chantagem afetiva agem de maneira sutil, instalando-se na rotina aos poucos. Por serem menos evidentes, esses comportamentos demoram a ser reconhecidos como violência.

Falar sobre o abuso que não se vê é importante para que mais pessoas consigam nomear o que sentem. Muitas mulheres percebem que algo está errado, mas não encontram palavras para o desconforto, porque não houve agressão física. Entender essas dinâmicas ajuda a dar nome a uma experiência que merece atenção e cuidado.

O controle disfarçado de cuidado

Um dos traços mais comuns do abuso emocional é o controle apresentado como preocupação. Querer saber onde a mulher está o tempo todo, opinar sobre suas roupas, decidir com quem ela pode conviver e monitorar suas mensagens são atitudes que, no início, podem parecer zelo. Com o tempo, porém, esse controle vai estreitando o espaço de liberdade da mulher.

Taiza Tosatt Eleoterio observa que a linha entre cuidado e controle está na liberdade. O cuidado genuíno respeita as escolhas do outro, enquanto o controle as restringe. Quando a mulher sente que precisa pedir permissão para coisas simples ou que será cobrada por qualquer movimento, é sinal de que algo ultrapassou os limites de uma relação saudável.

O isolamento que enfraquece a rede de apoio

O isolamento costuma caminhar junto com o controle. Aos poucos, a mulher se vê afastada de amigos e familiares, seja por proibições diretas, seja por um clima de tensão que torna esses encontros desgastantes. Esse distanciamento não acontece por acaso. Quanto mais isolada, mais a mulher depende do parceiro e menos referências externas tem para perceber o que está vivendo.

A leitura psicanalítica ajuda a entender o impacto desse afastamento. Sem a presença de pessoas de confiança, fica mais difícil enxergar a situação com clareza e reunir forças para buscar mudanças. Taiza Tosatt Eleoterio reforça que reconstruir esses laços é uma das formas mais importantes de apoio, porque devolve à mulher um espelho mais honesto da própria realidade.

A chantagem afetiva e o peso da culpa

A chantagem afetiva funciona transformando o amor em moeda de troca. Frases que sugerem que a mulher é egoísta, que está magoando o parceiro ou que será responsável por algo ruim caso tome determinada decisão criam um peso constante de culpa. Esse mecanismo aprisiona porque mexe com o desejo legítimo de cuidar de quem se ama.

Taiza Tosatt Eleoterio explica que a chantagem afetiva costuma deixar a mulher em permanente estado de alerta, tentando evitar conflitos e agradar a todo custo. Esse esforço silencioso é exaustivo e vai corroendo o bem-estar. Perceber que a culpa está sendo usada como instrumento é um passo importante para começar a se libertar dessa dinâmica.

Nomear é o começo do cuidado

O abuso que não deixa marcas visíveis se sustenta, em parte, no silêncio e na dúvida. Quando a mulher consegue nomear o que vive, ela já dá um passo significativo, porque deixa de achar que está exagerando ou inventando. Reconhecer o controle, o isolamento e a chantagem como formas de violência emocional devolve a ela a confiança na própria percepção.

Esse reconhecimento abre caminho para buscar apoio. Conversar com pessoas de confiança, procurar redes de acolhimento e considerar acompanhamento profissional são formas de não enfrentar tudo sozinha. Taiza Tosatt Eleoterio costuma lembrar que dar nome ao sofrimento não resolve tudo de imediato, mas inicia um processo de cuidado que pode transformar a vida da mulher.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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